Douglas Coupland definitivamente não é um escritor comum. O cara se preocupa mais em dar entrevistas sobre móveis do que sobre literatura. Ele escreve mais para a
Wired do que para a
New Yorker. E, em suas fotos, está mais para um dos integrantes do
Kratwerk do que para um escritor atormentado e cool.
E os seus livros?
Bem, o
Coupland, para mim, é um dos poucos escritores que conseguem entender e retratar e, muitas vezes, prever as confusões internas da humanidade de hoje. Parece complicado, mas não é. Na verdade, os seus livros são tão simples que dá raiva.
Por isso,
JPod, o seu último romance que acabo de ler, causa uma certa estranheza. Porque
JPod é justamente o contrário: parece ser um livro simples, mas, no fundo, é muito complicado. Por trás desse
Microservs revisitado, existe um cinismo exagerado e um auto-retrato do próprio
Coupland. A impressão que tenho é que ele está jogando todo o tempo com o leitor. Mas não é qualquer leitor. São os seus fãs e, claro, os seus críticos. Desde o início,
Coupland sabe que está escrevendo a história que todo mundo sempre esperou, mas, propositalmente, colocou elementos que a gente nunca viu em sua literatura. E, assim do nada, ele próprio aparece como o personagem filho da puta que ele nunca criou.
Apesar de ser uma espécie de
recado em forma de literatura,
JPod não é um livro ruim. É divertido, supreendente e repleto de passagens memoráveis.
Só faltou aquele soco no estômago que os seus livros sempre têm.
Mas o soco não está ali de propósito.
Agora, temos apenas o sorriso do escritor.
Um sorriso que diz
ei, quem manda aqui sou eu.
E, bem, estamos falando de
Coupland... por isso, só tenho uma coisa a dizer: ele pode.