Tuesday, September 26, 2006

Salto alto e rock and roll



Ela é amiga do Bright Eyes. Ela é fashion. Ela faz parte do Broken Social Scene. Ela sempre toca de salto alto.

O nome da guria é Feist, lançou um dos melhores discos que comprei no ano passado, e essa versão de Secret Heart, escrita pelo não mesmo ótimo Ron Sexsmith, é o tipo de coisa que me faz pensar UAU.

O mais legal é que no disco essa música tem um arranjo superintimista e aqui está muito rock and roll.

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Obra-prima indie

Eu tive que entrar na casa dos trinta para admitir que sou indie.

Óbvio que tenho uma paixão descontrolada por soul music, pop clássico dos anos 60 e rock setentão.

Mas, no fundo, no fundo, eu sou indie. Sou indie desde o primeiro acorde de Never Understand do Jesus & Mary Chain. Sou indie desde as calças baggy do Ian Brown na época de ouro do Stone Roses. Sou mais um indie órfão dos Smiths (lembro que, em uma aula do segundo ano do segundo grau, escrevi na parede The Smiths is Dead and I Miss Them, coisa ridícula, eu sei, mas gosto de pensar que sou o mesmo maníaco obsessivo desde a adolescência).

Só que sempre fui um indie que torceu o nariz para o Yo La Tengo. Adoro a atitude dos caras. Só que, putz, eles são indies demais. No entanto, este disco novo, I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass é muito, muito bom. E, não bastasse isso, tem uma das músicas mais indies de todos os tempos. Beanbag Chair tem aquele clima lo-fi. Tem aquele vocal que parece que não vai chegar até o final da música. Tem aquela batidinha para acompanhar com a cabeça. Tem backing vocals femininos com um ar blasé. Tem até metais que parecem que foram tocados pela bandinha do colégio. E, óbvio, uma belíssima melodia. Ou seja, uma pequena obra-prima.

Dessa vez, o meu coração indie tem que tirar o chapéu para os tiozinhos do Yo La Tengo.

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Monday, September 25, 2006

Gente estranha, som sensacional



TV On The Radio é o tipo de banda que, só de olhar para os caras, você já percebe que existe algo.

Eu sempre demoro para entender este algo.

Mas que está lá, está.

Só que Wolf Like Me... tem este algo e muito mais. E essa performance deles ao vivo é de chorar no cantinho de tão boa.

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Sunday, September 24, 2006

Screening room

Alguns filmes das últimas semanas.

The Devil Wears Prada. Não pensei que fosse gostar, mas acabei me divertindo bastante. Ainda mais agora que sou casado com uma mulher que sabe tudo sobre o mundo da moda. E a Meryl Streep dá um show.

Shopgirl. Melhor que o livro. Mas isso não significa muita coisa. O que valeu mesmo foi ter descoberto que a Claire Danes tem uma sensualidade desconcertante, se é que você me entende.

Aeon Flux. Bobagem sci-fi. Mas dá para o gasto.

The Squid and The Whale. Típico filme indie americano. Mas muito, muito bom. E não é à toa: o Wes Anderson assina a produção.

Mas confesso que estou viciado em 24. Preciso ver todas as temporadas que não vi até o final do ano.

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Saturday, September 23, 2006

Here is to Patti

Eu não gosto de musicais.

Para dizer a verdade, acho que musical é uma das piores espécies de arte que o ser humano foi capaz de inventar.

Mas eu realmente gostaria de ter visto Hedwig and The Angry Inch ao vivo. Adorei o filme, mas acredito que o musical em um teatro, com a banda tocando bem a sua frente, deve ganhar outra força.

Bem que os argentinos, que fazem versões de todos os musicais americanos, poderiam tentar levar ao palco essa linda história rocker. O único problema é que eles provavelmente iriam traduzir todas as letras. Ou seja... é melhor eu esquecer este meu desejo.

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Friday, September 15, 2006

Memoir

Estou superempacado em relação aos meus projetos literários.

Depois de ler JPod, do Coupland, e We Shall Know Our Velocity, do Dave Eggers, pensei em retomar o meu projeto Britpop, que está bem amarrado na minha cabeça.

Mas ando visitando muito o site da Amazon e, sei lá exatamente os motivos, de repente fiquei com vontade de escrever uma espécie de memoir. Não, não são memórias. Memoir mesmo, porque sou metido a besta.

Agora, a pergunta é: memoir sobre o que exatamente?

Uma opção é sobre a minha mãe.

Só que é um assunto dolorido que requer abrir muitas portas do meu cérebro.

A segunda opção, mais fácil e divertida, é escrever uma espécie de biografia das minhas pequenas (e nem tão pequenas) obsessões da cultura pop. E contar sobre como uma invenção minha, mesmo sem querer, foi importante para que a cena independente hoje tenha tanta força no Brasil. É um pouco pretensioso, eu sei. Mas qualquer cara que se propõe a sentar para escrever um memoir tem que ter uma pitada de pretensão.

Vamos ver no que dá.

O foda é que o meu trabalho está consumindo com todo o meu cérebro. Segunda a gente começa, aqui e no México, um projeto bem grande envolvendo televisão, internet e telefonia celular que me triturou nas duas últimas semanas. Está certo que nunca gostei tanto de um trabalho, mas bem que poderia sobrar energia para escrever mais...

Hispano hablantes

Sim, a Argentina é logo aqui. Bem ao lado do Brasil. Mas existem alguns fatos curiosos que fazem a gente pensar que vivemos em outro continente. Na verdade, começo a achar que a língua faz uma grande diferença. Na música, por exemplo. Aqui existe um espanhol que é meio que o Raul Seixas local. Cada vez que o Joaquin Sabina pisa no país, é comoção geral. Todos os shows têm lotação esgotada.

Agora, é a vez de um tal de Ricardo Arjona (parece que é colombiano, não sei). Ele chegou ontem à Buenos Aires para fazer 30 shows. Isso mesmo! 30 shows em um dos principais estádios daqui.

Ou seja, os países de língua espanhola consomem tudo que é de língua espanhola.

O mesmo não acontece com a língua portuguesa.

Com exceção de alguns escritores portugueses, nós brasileiros consumimos pouca coisa da cultura de Portugal ou dos outros países que falam o nosso idioma.

É falta de quantidade?

Falta de qualidade?

Ou falta de vontade?

Tuesday, September 12, 2006

Life lessons



O negócio é o seguinte: Martin Scorsese é o cara.

Ele já foi melhor.

Mas é o cara.

Para mim, é o equivalente ao Bob Dylan na música pop.

E um louco colocou no YouTube todo o episódio dirigido pelo Scorsese para o filme New York Stories. O fato é que sou obcecado por Life Lessons. São 46 minutos geniais. Eu devo ter ido ao cinema umas 10 vezes e sempre saía depois que este episódio terminava. Comprei a trilha sonora e passava horas escutando A Whiter Shade of Pale do Procol Harum e Like Rolling Stone do Dylan (ao vivo, com a The Band).

Neste filme, Scorsese move a câmera como se estivesse escrevendo poesia. Não... ele está escrevendo uma poesia.

Bom, então vamos aproveitar que o YouTube existe e assistir a este poema em movimento.

E, ah, bons tempos aqueles em que a Rosanna Arquette era a Rosanna Arquette

Dois blogs

O que é bom a gente recomenda.

Primeiro, o blog do Luiz Young. É garantia de ter sempre discos bons para baixar. E muitas bandas novas para conhecer.

Segundo, o blog do Mini, guitarrista da banda Walverdes. Mas o guri não fala só de música não. Budismo, economia, cultura pop, tecnologia e informação em textos sempre bons de ler.

Os dois links estão aí ao lado.

Saturday, September 09, 2006

Dglobe

Douglas Coupland definitivamente não é um escritor comum. O cara se preocupa mais em dar entrevistas sobre móveis do que sobre literatura. Ele escreve mais para a Wired do que para a New Yorker. E, em suas fotos, está mais para um dos integrantes do Kratwerk do que para um escritor atormentado e cool.

E os seus livros?

Bem, o Coupland, para mim, é um dos poucos escritores que conseguem entender e retratar e, muitas vezes, prever as confusões internas da humanidade de hoje. Parece complicado, mas não é. Na verdade, os seus livros são tão simples que dá raiva.

Por isso, JPod, o seu último romance que acabo de ler, causa uma certa estranheza. Porque JPod é justamente o contrário: parece ser um livro simples, mas, no fundo, é muito complicado. Por trás desse Microservs revisitado, existe um cinismo exagerado e um auto-retrato do próprio Coupland. A impressão que tenho é que ele está jogando todo o tempo com o leitor. Mas não é qualquer leitor. São os seus fãs e, claro, os seus críticos. Desde o início, Coupland sabe que está escrevendo a história que todo mundo sempre esperou, mas, propositalmente, colocou elementos que a gente nunca viu em sua literatura. E, assim do nada, ele próprio aparece como o personagem filho da puta que ele nunca criou.

Apesar de ser uma espécie de recado em forma de literatura, JPod não é um livro ruim. É divertido, supreendente e repleto de passagens memoráveis.

Só faltou aquele soco no estômago que os seus livros sempre têm.

Mas o soco não está ali de propósito.

Agora, temos apenas o sorriso do escritor.

Um sorriso que diz ei, quem manda aqui sou eu.

E, bem, estamos falando de Coupland... por isso, só tenho uma coisa a dizer: ele pode.

Wednesday, September 06, 2006

Eta, guri bom

Nunca desconfie de um disco que começa homenageando o clássico início de bateria de Be My Baby, das Ronettes. Veja bem: o Psychocandy do Jesus & Mary Chain começava assim e deu no que deu.

Ok, vamos ser honestos: o novo disco de Ben Kweller, este garoto prodígio do mundo indie que escreveu uma das pop songs que mais ouvi e ouço nos anos 00 (Walk On Me), não é um divisor de águas como a estréia do Jesus & Mary Chain. Mas já nos primeiros segundos de Run, a música que abre o disco que leva o nome do guri, a gente fica com um sorrisão no rosto.

Dizem que o título do álbum nasceu porque ele tocou todos os instrumentos. Tudo bem que ele teve a ajuda do excelente produtor Gil Norton, mas que o Ben Kweller dá uma aula de pop ninguém pode negar. Aliás, há tempos que não ouvia aquele power pop que nos agarra de cara, faz a gente bater o pé e cantar junto. Para você ter uma idéia, baixei o disco há menos de uma hora e pelo menos umas 5 melodias não saem da minha cabeça.

Também li que o motivo de tanta felicidade e romantismo é que o menino de 25 anos agora está bem casado e com um bebê que acaba de nascer. Isso é que é ser generoso. Ele está de bem com a vida e nos dá de presente um dos melhores discos do ano.

Se você não quiser baixar o disco todo, pelo menos vá atrás de Nothing Happening, Sundress, I Gotta Move, I Don't Why (já lançada em single em 2002, mas aqui em uma versão diferente) e Magic.

Finalmente encontrei o disco perfeito para fazer companhia ao The Greatest da Cat Power.

Monday, September 04, 2006

Coisas que as crianças deveriam saber II



As crianças de hoje deveriam saber que um dia as guitarras punks encontraram a emoção sem nenhum marqueteiro no meio para intermediar. Que Teenage Kicks é um clássico, que merece estar ao lado de Jailhouse Rock, só para citar um exemplo. Que os Undertones merecem uma garagem no céu só por causa dessa música. Que aqueles segundos em que as palmas entram é um dos melhores momentos do pop ever. Até hoje, quando me sinto assim meio desanimado no meio do trabalho, coloco Teenage Kicks para tocar e tudo muda. Esses dois minutos representam uma das raras ocasiões em que o rock é capaz de salvar vidas.

La femme chocolat

A minha primeira experiência na França foi na cidade de Carcassone. Turismo nota 10. Mas sofri com o humor dos franceses. E é de Carcassone que vem a moça que alegrou a nossa noite de sábado. Olivia Ruiz, uma revelação da música francesa, veio à Argentina para uma pequena turnê. Depois de dormir uma boa parte da tarde, decidimos arriscar e ir ao show, mesmo correndo o risco de não ter mais ingressos. E foi uma bela decisão.

Admito que a música da Olivia Ruiz não é o que ouço em casa. Mas a sua mistura de jazz, pop francês e rock funciona muito bem no palco. Principalmente por sua performance: roqueira, teatral e sensual. Ela sabe como conduzir a platéia e faz a gente dançar desde tango até uma clássica batida 60's. Para resumir a personalidade da francesinha, é só ver as duas covers da noite. Ela cantou Yeah Yeah Yeahs, colocando o bar abaixo, e, depois, uma quase a capella versão de My Heart Belongs to Daddy, de Cole Porter.

Para terminar a noite, aproveitamos que estávamos no bairro de San Telmo e fomos comer na Brasserie Petanque, um dos melhores restaurantes franceses de Buenos Aires. Comi um delicioso boeuf bourgogne e fui dormir feliz. Afinal, boa música e boa comida podem ser coisas fúteis, mas que é essencial nesta vida, ah, às vezes é.

Friday, September 01, 2006

I can live on rice and beans

É uma sensação diferente.

Talvez adulta, madura e, ao mesmo tempo, suficientemente nova para dar aquele friozinho na barriga.

Estar em um aeroporto, sozinho, cansado e com vontade de chegar em casa. Mas agora tudo é diferente. Já não vou encontrar a casa vazia. Não vou encontrar os meus discos no mesmo lugar. Não vou encontrar a banheira seca. Ali, naquele piso em que tomo banho todos os dias, estarão alguns pingos solitários de água. Na cozinha, pratos na pia. E, no lixo, uma embalagem de escova dentes recém aberta.

É isso.

Antes eu voltava para a minha casa.

Agora, volto para um lar. Na cama, está alguém que, ainda dormindo, sorri quando percebe que abri a porta de nosso quarto.

É uma felicidade nova saber que existe alguém que sempre deixa você feliz de novo e de novo e de novo. Que você não cansa de sentir saudades quando está longe. É quase assim como a espera de um novo disco do Bob Dylan, se é que você me entende. Hoje li um texto de um jornalista brasileiro dizendo que ninguém mais precisa de um Dylan novo. Que bobagem. Ouvir Dylan é como estar com a pessoa que você mais ama: a gente sempre precisa mais.

Sim, estou de volta ao nosso lar. Acabo de baixar o novo Dylan. Tem essa música, Working Man's Blues #2, tão linda, tão política, tão social e, putz, tão romântica ao mesmo tempo. E quando ouço o cara cantar Now they worry and they hurry and they fuss and they fret/ They waste your nights and days/ Them I will forget/ But you I'll remember always, enquanto espero que ela saia do banho, penso: como é bom precisar de alguém.

Trash in the water

Já escolhi o pior filme do ano. Depois de pensar muito por quase uma semana, tentando encontrar algo de bom em Lady in The Water, cheguei à conclusão que esta lenga-lenga do M. Night Shyamalan é uma porcaria sem pé nem cabeça. Ruim é apelido. É ridículo. Constrangedor. Uma vergonha para o currículo de qualquer ator. Deve ser por isso que o próprio diretor intepreta um papel importante na história. Afinal, quem iria querer sujar o currículo fazendo algo tão ruim? Nem o Paul Giamatti salva o filme. Desse jeito, o Shyamalan não vai ser aceito nem em Bollywood.