Howl
Uma coisa que talvez você não saiba: eu fui fanáticos pelos beats.
Sim, este cara piegas e pop até o último fio de cabelo leu praticamente todos os livros da Geração Beat publicados no Brasil. Eram os anos 80, e as editoras L&PM e Brasiliense lançaram mais de uma dezena de títulos daquela galera. Além de Jack Kerouac, William Burroughs e Allen Ginsberg, tive a sorte de poder encontrar coisas do Neal Cassidy, Lawrence Ferlinghetti e Michael McLure. Devorei tudo que encontrei deles. Era uma época em que pensava que escrever era algo cheio de mistério. Lembro que escrevia longos poemas, cheios de rebeldia adolescente, e pensava que eram o verdadeiro retrato da minha geração (essa frase é exagerada, mas era assim mesmo que me sentia).
Pois bem, devido a uma dessas voltas que a vida dá, acabei conhecendo o cara que traduziu o On The Road do Kerouac. É claro que me contive e não disse ao Eduardo Bueno que ele praticamente pirou com a minha cabeça. Afinal, o cara que traduziu ao português o clássico dos clássicos beatniks morava na mesma cidade que eu. Lembro que no prefácio, ele contava que acabou com o estoque de papel da livraria perto da casa dele, e ele meio que descrevia onde ficava essa tal casa. Eu meio que fantasiei o lugar. Era uma esquina perto da Cristóvão Colombo, em Porto Alegre, e, de vez em quando, passava por ali para ver se encontrava o Eduardo.
Não quero (e não gosto) de fazer comparações. Mas toda semana recebo mensagens no Orkut de adolescentes que falam dos meus livros. São jovens que sentem o mesmo que senti um dia: esta sensação de que existe alguém no mundo que é capaz de colocar no papel o que a gente vive. Passar um sábado com o Eduardo me fez me dar conta que eu já fui um destes adolescentes. E é por isso que, em meio a tanto trabalho e a não ter muita certeza sobre a minha carreira literária, que penso que se tudo terminar por aqui, não tem problema. Valeu a pena. E muito.
Mas, bem, não parou por aqui.
Pelo menos é o que espero.
Sim, este cara piegas e pop até o último fio de cabelo leu praticamente todos os livros da Geração Beat publicados no Brasil. Eram os anos 80, e as editoras L&PM e Brasiliense lançaram mais de uma dezena de títulos daquela galera. Além de Jack Kerouac, William Burroughs e Allen Ginsberg, tive a sorte de poder encontrar coisas do Neal Cassidy, Lawrence Ferlinghetti e Michael McLure. Devorei tudo que encontrei deles. Era uma época em que pensava que escrever era algo cheio de mistério. Lembro que escrevia longos poemas, cheios de rebeldia adolescente, e pensava que eram o verdadeiro retrato da minha geração (essa frase é exagerada, mas era assim mesmo que me sentia).
Pois bem, devido a uma dessas voltas que a vida dá, acabei conhecendo o cara que traduziu o On The Road do Kerouac. É claro que me contive e não disse ao Eduardo Bueno que ele praticamente pirou com a minha cabeça. Afinal, o cara que traduziu ao português o clássico dos clássicos beatniks morava na mesma cidade que eu. Lembro que no prefácio, ele contava que acabou com o estoque de papel da livraria perto da casa dele, e ele meio que descrevia onde ficava essa tal casa. Eu meio que fantasiei o lugar. Era uma esquina perto da Cristóvão Colombo, em Porto Alegre, e, de vez em quando, passava por ali para ver se encontrava o Eduardo.
Não quero (e não gosto) de fazer comparações. Mas toda semana recebo mensagens no Orkut de adolescentes que falam dos meus livros. São jovens que sentem o mesmo que senti um dia: esta sensação de que existe alguém no mundo que é capaz de colocar no papel o que a gente vive. Passar um sábado com o Eduardo me fez me dar conta que eu já fui um destes adolescentes. E é por isso que, em meio a tanto trabalho e a não ter muita certeza sobre a minha carreira literária, que penso que se tudo terminar por aqui, não tem problema. Valeu a pena. E muito.
Mas, bem, não parou por aqui.
Pelo menos é o que espero.
Labels: Literatura



