Thursday, November 30, 2006

Howl

Uma coisa que talvez você não saiba: eu fui fanáticos pelos beats.

Sim, este cara piegas e pop até o último fio de cabelo leu praticamente todos os livros da Geração Beat publicados no Brasil. Eram os anos 80, e as editoras L&PM e Brasiliense lançaram mais de uma dezena de títulos daquela galera. Além de Jack Kerouac, William Burroughs e Allen Ginsberg, tive a sorte de poder encontrar coisas do Neal Cassidy, Lawrence Ferlinghetti e Michael McLure. Devorei tudo que encontrei deles. Era uma época em que pensava que escrever era algo cheio de mistério. Lembro que escrevia longos poemas, cheios de rebeldia adolescente, e pensava que eram o verdadeiro retrato da minha geração (essa frase é exagerada, mas era assim mesmo que me sentia).

Pois bem, devido a uma dessas voltas que a vida dá, acabei conhecendo o cara que traduziu o On The Road do Kerouac. É claro que me contive e não disse ao Eduardo Bueno que ele praticamente pirou com a minha cabeça. Afinal, o cara que traduziu ao português o clássico dos clássicos beatniks morava na mesma cidade que eu. Lembro que no prefácio, ele contava que acabou com o estoque de papel da livraria perto da casa dele, e ele meio que descrevia onde ficava essa tal casa. Eu meio que fantasiei o lugar. Era uma esquina perto da Cristóvão Colombo, em Porto Alegre, e, de vez em quando, passava por ali para ver se encontrava o Eduardo.

Não quero (e não gosto) de fazer comparações. Mas toda semana recebo mensagens no Orkut de adolescentes que falam dos meus livros. São jovens que sentem o mesmo que senti um dia: esta sensação de que existe alguém no mundo que é capaz de colocar no papel o que a gente vive. Passar um sábado com o Eduardo me fez me dar conta que eu já fui um destes adolescentes. E é por isso que, em meio a tanto trabalho e a não ter muita certeza sobre a minha carreira literária, que penso que se tudo terminar por aqui, não tem problema. Valeu a pena. E muito.

Mas, bem, não parou por aqui.

Pelo menos é o que espero.

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Wednesday, November 29, 2006

35 milímetros




Nem sempre consigo escrever, mas quase sempre tem fotos novas. É só clicar na foto.

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Saturday, November 25, 2006

The Secret Machines




Mais um show de rock na vida da gente. Bom, alto e, o que é melhor, de graça.

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Tuesday, November 21, 2006

18 anos depois

Onde você estava em 1988?

Para falar a verdade, já esqueci de muita coisa que aconteceu naquele ano. Mas lembro bem do dia em que fiz a minha namorada (pobre Cleo!) sair comigo às quatro horas da tarde, de ônibus, até o ginásio Gigantinho em Porto Alegre. Por quê? Porque à noite o New Order, por um desses milagres que só acontecem uma vez na vida, iria tocar na capital gaúcha. E eu queria ser o primeiro da fila. Na verdade, acho que fui o segundo. Então, de uma certa forma, falhei no meu fanatismo. Primeiro, segundo, terceiro, não importa. O que importa é que eu estava lá na grade, em frente a uma das melhores bandas de pop, rock, punk, eletrônico e o escambau que já pisaram na Terra. Aliás, se considerarmos que o New Order é todos estes gêneros em um só, podemos afirmar com 100% de segurança que é a melhor banda de todos-os-gêneros-em-um-só da história mundial. E o show foi tudo o que um adolescente poderia esperar ao ver e ouvir os seus ídolos. Até hoje lembro de quando eles tocaram Ceremony. E, na minha fantasia particular, tenho certeza que eles tocaram só porque eu não parava de gritar por esta música.

E eis que, dezoito anos depois, eu vejo o New Order novamente. Mais velho, casado com uma fanática da banda, com cabelos brancos e se sentindo meio deslocado em um festival cheio de argentinos de vinte e poucos anos. Só que, pô, New Order é New Order. E ver os caras ao vivo é uma experiência única. Os caras não fizeram história. Eles são a história. E o tempo pode passar, mas as grandes canções sempre ficam. Sem falar que o baixo do Peter Hook é de chorar no cantinho de tão bom.

Momentos quase-chorei do show: Love Vigilantes, Temptation e Your Silent Face.

Aliás, até agora não acredito que eles tocaram Love Vigilantes e Your Silent Face.

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Saturday, November 04, 2006

Snapshots




Já falei sobre o meu fetiche por câmeras fotográficas compactas aqui. Na verdade, apesar de entender um pouco de fotografia, sou superpreguiçoso. Por isso, uso equipamento automático. Só que, por outro lado, gosto de saber que nem tudo é automático. O meu olhar não é. Além disso, sempre experimento com filmes, luzes e revelações.

O meu último desejo de consumo foi ter a mesma câmera que o Terry Richardson usa para fotografar as campanhas da Sisley. É a compacta Yashica T4, com uma lente excepcional Carl Zeiss. Só que ela já não é mais fabricada. E, como virou um objeto cult, os preços foram lá para o alto. Depois de uma busca eterna na internet, consegui um cara aqui em Buenos Aires que aceitou me vender por um preço baratinho, baratinho.

É claro que é bobagem essa história de ah, eu tenho a mesma câmera que o Terry Richardson. Sei que é coisa de brasileiro deslumbrado. Mas depois que revelei o meu primeiro filme de teste, fiquei muito surpreso. Não é que a câmera é boa mesmo?

Aproveitando o post, um link para ver o cara em ação com a tal Yashica T4.

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