Friday, December 22, 2006

The deal

Adaptei a frase do Kako e escrevi uma pequena história de Natal. Não fala de Natal, mas tem aeroporto no meio e isso sempre me lembra Natal.

Meeting Cat Power

Nós desmoronamos aos poucos. O cigarro aceso queimando por entre os seus dedos, a lata de cerveja esquentando com o calor de suas mãos, o rosto inundado do suor com gosto de vergonha, nervosismo, paixão. Ele poderia ter perguntado sobre as suas músicas, a sua banda, o seu show, o vestido branco, o tênis Adidas, enfim, até sobre o tempo. Que umidade. Que verão. Será que vai chover? Mas não. Tudo o que conseguiu dizer foi nós desmoronamos aos poucos. Ele poderia ter dito nós desmoronamos aos poucos, corpo, pele, pêlos, poros até o momento que não existimos mais. Porque a sua voz é contra a minha biologia. Você canta e sou apenas alma. Pó. Nada. Um miligrama de homem que tem fantasias adolescentes com as suas canções. Que desejaria dançar em bares esfumaços, com pisos que gemem em cada um de nossos passos sincronizados, deslizar a minha mão até a sua cintura só para que você a puxe de volta para perto de seu ombro. Ele poderia dito eu quero soprar a sua franja com um beijo e depois pegar carona neste vento e, quem sabe, quem sabe, quem sabe, ir até Memphis. Tantas coisas para dizer. E ele ali, imóvel, apenas vendo ela sorrir enquanto se afasta em direção à porta de embarque do aeroporto. São os seus últimos segundos. E, no entanto, a única coisa que consegue dizer novamente é nós desmoronamos aos poucos. Mas, dessa vez, algo acontece. Ela pára de caminhar. Dá meia volta e se aproxima. Com esta voz que é capaz de parar o mundo, ela diz a pessoa certa, assim como a música certa, precisa ser apresentada a você. Só isso. E vai. E voa. E ele, bem, ele fica com a música. Pode parecer pouco. Mas não importa. Restam apenas pó, alma e um miligrama para contar a história.

Este é o último post do ano. Amanhã viajo para as festas e depois tiro umas férias curtas.

Feliz Natal, feliz 2007, muito amor e rock and roll.

Obrigado pela leitura.

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Monday, December 18, 2006

Heavy metal drummer

Três observações sobre o DVD Sunken Treasure do Jeff Tweedy, coração e mente do Wilco.

1. O filme começa com um cara, com uma voz de adulto bem crescidinho, gritando I LOVE YOU. Ouvir isso foi um grande alívio para mim, que quase teve um treco quando falou com o Jeff Tweedy. Não sou único marmanjo que ama este cara comum, que sofre de enxaqueca e é pai de dois filhos.

2. No final de contas, o que importa é a música. E as canções do Wilco não só funcionam como muitas vezes crescem só com voz e violão.

3. O baterista Glenn Kotche toca em um par de músicas. E, vou contar para vocês, o cara faz milagre com um kitzinho quase de criança. Ainda conservo o meu lado punk, mas existem poucas coisas tão legais nessa vida do que ver alguém tocar muito bem o seu instrumento.

É isso.

Ah! E mais uma vez o Jeff Tweedy mostra que sabe presentear os fãs. Quem tem o DVD original pode baixar todas as músicas do show em MP3 com direito a bônus e tudo. Ou seja, dá para encontrar o DVD inteirinho em formato de áudio na internet.

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Downtown Miami


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We have a deal

Ok, há tempos que não escrevo uma história nova.

Então, voltamos ao velho trato.

Prometo publicar uma narrativa curta aqui até a próxima sexta. Mas, antes, preciso de uma frase ou palavra. Então, mande a sua sugestão nos comentários.

Obrigado.

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Sunday, December 17, 2006

Madonna


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Thank you, Chan Marshall

O ano está chegando ao fim e, com isso, começam a chegar os e-mails pedindo a minha lista de melhores do ano. É sempre um momento complicado, mas agora a dificuldade é maior ainda porque o meu álbum predileto de 2006 está mil anos luz à frente dos outros – o que me dá vontade de votar em um só. Sim, estou falando dela, da senhorita Chan Marshall aka Cat Power e seu magnífico, estupendo, sensacional, maravilhoso The Greatest. Mas o que mais me deixa maluco é que neste disco está a primeira música que ouço nos últimos 9 anos que entra assim direto para o meu Top 10 das melhores canções de todos os tempos (a última foi Ladies and Gentlemen We're Floating in Space do Spiritualized). Para você ter uma idéia, nem o Wilco, que é a banda que mais gosto na atualidade, conseguiu essa proeza. Resumindo, a minha vontade é de definir o ano musical de 2006 em três palavras: Lived in Bars.

Na última edição da revista Spin, pude ler uma entrevista com a Cat Power, onde ela abre o coração e fala coisas tão banais que dá vontade de pegar a moça no colo. Ela também já teve o seu coração quebrado, ela também já bebeu todas, ela também já não quis sair de sua cama, ela também já precisou que os seus amigos a ajudassem a sair do fundo do poço. E é isso, claro, é isso que faz com que praticamente todo a minha alma se desfaça em pedacinhos cada vez que ouço Lived in Bars. É o fator humano. Simplesmente isso. E talvez não seja coincidência que ela tenha escolhido gravar The Greatest em Memphis, acompanhada por músicos veteranos da soul music. Com essa banda, Cat Power conseguiu atingir um grau de entrega e honestidade muito maior do que quando tocava sozinha. Pode parecer contraditório, mas acredito que ela precisou de uma banda de verdade, com tiozinhos que tocam com coração, para conseguir se abrir por completo. E também já não é mais a indie freak de 20 anos de idade. Agora tem os seus trinta e poucos anos, e quando solta a voz em Lived in Bars, você sente em um verso todas as dores que sentiu. E que, no fundo, não são tão diferentes das nossas, das minhas dores.

Porque, no final das contas, meus amigos, é para isso que serve a música pop. Para lembrar que a gente é humano, que a gente está vivo, que não estamos sós. Não importa se você gosta de rock, soul, metal, emo, punk ou eletrônico. Se uma música é tão boa que pode se tornar a sua melhor amiga, está tudo mais do que bem.

E Lived in Bars é isso para mim. Uma amiga, uma companheira, mais do que uma canção, alguém
com quem posso contar. Porque ela me faz feliz, me faz querer dançar com o amor da minha vida, me faz querer acender um cigarro, me faz sorrir, me deixa assumir a minha tristeza quando estou triste, me faz pensar nos meus defeitos. O que mais posso pedir de uma música?

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Saturday, December 16, 2006

South Beach


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Friday, December 15, 2006

Many rivers to cross

Em um dos mais rápidos bate e volta da minha vida, acabei embarcando na segunda à noite em direção a Miami e, hoje pela manhã, já estava de volta em Buenos Aires. Não quero fazer muitos comentários sobre esta cidade bizarra e estranha, mas em breve terei algumas fotos sobre o que vi em 72 horas na cidade onde vive a Cat Power (provavelmente seja o único fato que me atraia de verdade na capital da Florida, se é que é capital da Florida mesmo).

O importante é que pude encher a minha mochila de filmes fotográficos de boa qualidade e, claro, comprar alguns discos e tal. Entre eles, o mais surpreendete é o sempre doido Walkmen e seu remake do clássico álbum Pussy Cats, do Harry Nilsson e produzido pelo John Lennon. Nem preciso dizer que o original está naquela minha lista do coração. Até porque o disco tem toda aquela história de que o Lennon estava separado da Yoko Ono e bebia todas com o pobre Nilsson, que literalmente fodeu com as suas cordas vocais durante as gravações. E, segundo a lenda, o cara não quis contar que estava malzão porque corria o risco do ex-beatle cancelar todo o projeto. Lenda ou não, a verdade é que o Nilsson nunca mais foi o mesmo depois daquele fatídico lost weekend.

Os caras do Walkmen decidiram regravar todo o disco, mudando quase nada dos arranjos, mas, como eles são estes geniozinhos de estúdio, conseguiram deixar tudo com a cara deles. Como foi a última gravação antes de fecharem o quartel general da banda (o estúdio Marcata em Nova Iorque), eles conseguiram recriar com honestidade o clima de festa do Pussy Cats original, convidando um monte de amigos do mundo indie para tocar e cantar. Sem falar que a voz do Hamilton Leithauser é perfeita para canções como Many Rivers To Cross e Mucho Mungo. A primeira então, ficou tão boa quanto a versão do Nilsson, que, por sua vez, é dez mil vezes melhor que a versão do Jimmy Cliff.

É claro que é um álbum mais recomendado para fanáticos do disco original ou fãs de Walkmen. Como estou nas duas categorias, estou mais do que feliz.

Gracias, Miami!

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Wednesday, December 06, 2006

Grain is good


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