Friday, March 30, 2007

Sound of silver

Muita informação cansa. Já disse mais de uma vez: às vezes tenho saudades do tempo em que as novidades musicais chegavam por aqui de uma forma muito mais lenta. Talvez seja por isso que até hoje eu ame tanto bandas como Stone Roses e Pixies, bandas que descobri meio que sozinho, do mesmo jeito que centenas de outros indies brasileiros isolados pelo país. Hoje existe a internet, o MP3, os blogs e, bem não preciso explicar isso para ninguém.

Muita informação cansa porque todo dia tem uma nova banda que preciso que escutar e já não tenho mais tanto tempo assim para ouvir tanta coisa. Mas, sempre que posso, dou um jeito de conferir os hypes que aparecem aqui e acolá.

De todos os grandes hypes que surgiram, o LCD Soundsytem é a banda que realmente acredito que merece todos os elogios. Ok, ok, tem o Arcade Fire, mas ainda não entendi a bajulação em torno do novo disco. Já o novo do LCD Soudsystem é muito, mas muito melhor que o primeiro. Com Sound of Silver, James Murphy praticamente pisoteia todas as bandas que abusam da equação rock+eletrônico+pop+punk e mostra que, meu filho, às vezes você precisa de bagagem cultural, entende? Afinal, ele não é nenhum adolescente, ele é um cara que sabe das coisas. E ainda escreve letras sensacionais para você cantar junto enquanto dança. E experimenta sem parecer que está experimentando.

Além do mais, All My Friends, com seu pianinho a la Philip Glass que, aos poucos, se transforma em um pop dos demônios é , até agora, a música do ano.

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Wednesday, March 28, 2007

Love 3X

Trabalhar em uma panela de pressão fez com que, nas últimas semanas, obrigasse a minha excelentíssima a assitir a filmes leves. O meu lema era não pensar. Sentar na poltrona e esquecer do mundo. Aí que, claro, fomos ver o tal Music and Lyrics. Filminho bem bobinho, mas é legal saber que um semi-indie assina a trilha sonora (o Adam Schlesinger do Fountains of Wayne).

Qualidade cinematográfica a parte, o filme me fez lembrar de quando eu tive uma banda lá no final dos anos 80. Quando o meu sonho era cantar como o Ian Brown. Quando escrevia canções com o meu primo Flávio. Que vergonha, mas ainda lembro de algumas letras.

Sente só o drama.

Bring me back to my life, I am a ghost, a ghost alive. (Nessa música eu fazia um aliiiiiiive.)

O meu destino é você, eu quero ler seu corpo, beijar seu rosto.

Go to Hacienda to have some fun, dance until the day, the day begin... Manchester calling. (Clássico dos clássicos, com uma bateria meio suingada, cortesia do meu amigo e irmão Mini.)

E tinha ainda a simplicidade genial de...

Love, love, love. (Mas assim num ritmo Soup Dragons e não Beatles.)

Triste, né não?

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Tuesday, March 27, 2007

La plage

Agora que o verão terminou, publico aqui um texto escrito sob encomenda para a marca de roupas Espaço Fashion lá do Rio de Janeiro. É aquela velha história de estar no limite da inocência e do brega. Mas fazer o quê? Os caras me mandam escrever uma história de verão com o tema audição. Fora o fato de que escrevi este texto em uma época em que ouvia quase todos os dias Benjamin Biolay e Chira Mastroiani.

Eu não posso continuar, disse ela, eu sei que não posso continuar. A praia vazia, o sol no horizonte, algumas crianças jogando bola na areia. Era tudo tão perfeito que ele não poderia acreditar que havia chegado ao fim. Não fala bobagem, ele tentou amenizar, não existe nada de mal em gostar de alguém. Claro que existe, foi a resposta. Ah, mas eu preciso saber quem falou uma heresia dessas, ele disse. Ela fez com que ele prometesse que não iria rir. Promessa cumprida, a resposta chegou assim como uma pequena confissão. Às vezes eu escuto a brisa do mar falar comigo, sabe? E ela é sempre desse jeito tão suave, tão acolhedora, acalma esse meu lado adolescente de vinte e tantos anos. E, então, hoje de manhã ouvi ela me dizer que não era para continuar, que tudo está indo rápido demais entre nós dois, que daqui a pouco o verão acaba e quem é que vai saber o que será de nós? Eu sei, eu sei, que pareço uma louca, mas eu não iria escutar a brisa do mar à toa, não é verdade? Ele sorriu. Você está rindo, ela reclamou. Não, ele se defendeu, estou sorrindo. Por quê? Por que alguém sorriria depois de ouvir tudo o que eu disse? Porque este calor também sempre mexe com os meus ouvidos, ele respondeu ainda sorrindo, mas eu escuto apenas o vento falando comigo. Mentira, reclamou ela. Não, não é mentira, juro que é verdade, o vento fala comigo, aquele vento que vem lá do outro lado do morro, acumulando força e que odeia este papo de que é cedo demais, de que não vale arriscar, de que temos que sentir medo de voar. E eu acredito no vento. Por isso, deixo que ele me leve e, se você quer mesmo saber, tenho certeza de que foi ele que me trouxe até você. E, meio sem querer, ela repousou a cabeça no ombro dele. Mas não estava vencida. Só falta você me dizer o que acontece quando a brisa do mar se encontra com o vento do outro lado do morro, ela quis saber. Antes de responder com um beijo, ele estendeu o braço em direção ao céu e, com os dedos molhados, passou a mão no rosto dela e disse: chuva.

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Monday, March 12, 2007

As partes e o todo

Se não me falha a memória, o baixista mais cool do mundo pop, o ilustre Peter Hook do New Order, um dia disse que, mais do que canções, ele gosta de partes de canções. Agora que tenho um ótimo fone de ouvido que me acompanha todos os dias no metrô, descobri que ele tem razão: existem partes de músicas que realmente são inesquecíveis. Abaixo, selecionei algumas.

Começamos, claro, com o próprio New Order. Exatamente aos dois minutos e cinqüenta e sete segundos de Ceremony tem início um dos solos de baixo mais bonitos da história do pop.

Outra parte que me mata começa no primeiro minuto e quarenta e cinco segundos de Spanish Bombs, quando a voz de Mick Jones se encontra com um fraseado de guitarra. Sou louco por esse solozinho.

Tem também o primeiro segundo de Be My Baby das Ronettes. Estou falando, óbvio, daquela antológica introdução de bateria.

Continuando com as girl groups, fico doido com o piano que responde aos vocais das Chiffons aos trinta e cinco segundos de One Fine Day.

Mais recentemente, fiquei obcecado pela voz de Cat Power ao um minuto e vinte e oito segundos de Lived in Bars. Quando ela diz back parece que o meu coração todo está em pedaços.

E, tudo bem que ainda não engoli todo o hype, mas aos quinze segundos de Totem on the Timelime, os Klaxons conseguiram criar um dos melhores refrões que ouvi nos últimos anos. Fazer a gente querer chutar tudo gritando Madre Teresa não é para qualquer um.

Depois eu falo sobre as partes que amo de canções do Marvin Gaye e do Air Supply. Você não leu errado: é Air Supply mesmo.

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Sunday, March 04, 2007

Star treku

Estou quase sem tempo para escrever aqui, mas aproveito que estou no trabalho para dizer que Heroes é a série de televisão que gostaria de ter criado. Muito, muito foda. Tudo bem que é da concorrência (pelo menos no Brasil, porque aqui na Argentina trabalho no mesmo núcleo responsável pela comunicação do Universal Channel), mas que vicia, vicia. E o tal Hiro Nakamura é simplesmente um dos personagens de tv mais carismáticos de todos os tempos. Já estou lá pelo episódio 14 e confesso que me dá nos nervos tanto mistério. Mas, pelo menos, o criador da série disse que Heroes não vai ser uma espécie de Lost, com muitas perguntas e poucas respostas. Espero que não - porque eu perco a paciência logo.

Então é isso: save the cheerleader, save the world.

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Thursday, March 01, 2007

I did it!

Viciei em Heroes.

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