Tuesday, July 24, 2007

36 poses

Hoje fiz uma troca fotográfica (uma digital de 2.1 megapixels por uma Olympus de 1971, cuja lente é superboa) e o tiozinho que fez o negócio comigo disse algo como você parece tão novo, não tem cara de quem gosta de câmeras assim. Quem já me conhece há algum tempo sabe que a minha paixão pela fotografia começou com o movimento lomográfico. Fiquei tão obcecado pelo mundo de películas que cheguei a ter mais de 10 câmeras em casa. Até que vendi tudo. Até a minha Lomo LCA velha de guerra. Hoje tenho apenas uma Yashica T4 Super (aquela que o Terry Richardson usa) e uma Leica Minilux (que vale US$ 400, mas que troquei por dois ingressos do Coldplay que me custaram mais ou menos US$ 70). Estou apaixonado pela Leica, que me dá o gostinho de que como seria usar uma da série M. Eu simplesmente não consigo fotografar com digital. Até faço algumas fotos com a Sony da Lelê, mas não é a mesma coisa. Com uma câmera de filme sinto que estou fotografando de verdade, mesmo que o meu olhar esteja sempre no cotidiano e que eu seja uma espécie de snapshooter.

Fotografia é praticamente o meu único interesse. Ainda gosto de rock, ainda gosto de descobrir novas bandas, mas o meu iPod é basicamente anos 60 e 70. Além de tirar foto, leio muito sobre o assunto. E gostaria de compartir com vocês alguns links.

Primeiro, o blog da famosa agência Magnum. Muitos dos meus fotógrafos favoritos fazem parte deste seleto grupo, gente como Martin Parr, Alec Soth, Susan Meiselas e Alex Majoli (além, claro, dos fundadores Robert Capa e Henri Cartier-Bresson).

Outra ótima referência é o blog do Alec Soth.

O site do William Eggleston é simplesmente para passar o mês inteiro pesquisando. O cara é muito foda.

Por último, um fotógrafo argentino que gosto muito, o Nicolás Hardy. No site dele você encontra um pouco do seu trabalho profissional, mas o que eu gosto mesmo é dos seus projetos pessoais. Adoro os livros dele.

É isso.

Say cheese!

Labels:

Tuesday, July 17, 2007

She loves sushi (and I love her)




Às vezes eu penso que casei - ok, não casei, casei, mas é como se eu tivesse casado - com a mulher mais fotogênica do mundo. Ela faz qualquer snapshot ficar especial.

Labels:

Monday, July 09, 2007

Snow patrol



Hoje nevou em Buenos Aires depois de sei lá quantos anos. Todo mundo saiu para a rua, tirando fotos e ouvi em muitas esquinas a galera gritando nieve, nieve, nieve. Eu e a Helena ficamos pasmos com um canal de televisão que mostrou imagens da neve ao som de músicas como What a Wonderful World. Foi um clima de milagre, mas, confesso, também fiquei surpreso, também fiquei feliz, também tirei fotos e também liguei para a família para avisar que coisinhas brancas estavam caindo do céu.

Mas como estou em um clima ramonico, a minha celebração à neve é com essa versão de What a Wonderful World

(E já que o Michael Pitt aparece no vídeo acima, vale lembrar que hoje vi Last Days do Gus Van Sandt no DVD. Pelo amor de Deus. Que coisa mais chata. Com todo respeito ao Kurt Cobain, depois de ver este filme dá vontade mesmo de dar um tiro na cabeça.)

Labels: , ,

Wednesday, July 04, 2007

Teenage fanclub



Você já sabe: tenho uma certa obsessão pela temática adolescente. Não é síndrome de Peter Pan ou o meu inconsciente evitando que eu me torne um adulto de verdade ou qualquer coisa parecida. É simplesmente porque acredito que nunca nos sentimos tão inseguros e, ao mesmo tempo, imortais como na adolescência. É a época que pensamos que sabemos tudo e quando tudo desmorona ao nosso redor.

Hoje sou menos escritor, menos criativo e quase um executivo. Ok, um executivo de jeans e All Star, mas passo metade do meu tempo em reuniões e tomando decisões. E esse volume de trabalho, essa pressão constante, esse stress que é ter que me expressar em uma língua e uma cultura diferentes todos os dias, tudo isso muitas vezes me deixa em pedaços. E sabe o que descobri? Que o que me dá aquela sensação de que posso tudo, aquele sentimento de que você tem 15 anos e toda uma vida pela frente, que o que coloca a minha cabeça no lugar é o punk rock. Tenho que ouvir Clash, Undertones, todas essas bandas do final dos 70. Mas a que mais me dá aquela força é Ramones.

Ouvir Ramones ainda é como ouvir Ramones na adolescência. Dá aquela coisa, entende? Lembro que a primeira vez que ouvi a banda, com o disco Rocket to Russia, fiquei tão inquieto que colocava uma faixa e saía caminhando pelo apartamento. Era como se eu tivesse me tornado hiperativo de uma hora para outra. Ramones deveria fazer parte do currículo das escolas. Sério. Não tenho certeza se ouvir Dylan, Lennon e, sei lá, U2 melhora a vida das pessoas. Ramones sim. Eu amo Dylan, mas é muito mais fácil você encontrar um fã mala e deprimido dele do que dos Ramones.



E já que o assunto são coisas que marcaram a minha adolescência, esses dias estava revendo Pretty in Pink na TV e lembrei que o final original do filme era outro. A mocinha ficava com o Duckie e não com o Blane (aliás, que nome mais mauricinho). Só que fizeram um teste e o público não gostou. Como assim o loser ficou com a Molly Ringwald?, devem ter pensado os americanos. E aí o diretor John Hughes refilmou o final. Mas, agora, meio que caiu a ficha. Provavelmente a minha vida amorosa na adolescência seria bem diferente se o final fosse o original. Sim, porque eu sempre estive longe de ser um bonitinho Blane. Sempre fui mais Duckie, com roupas estranhas e ouvindo soul music. (Eu também não me ajudava: ME DIGA QUE TIPO DE ADOLESCENTE OUVE SOUL MUSIC? Como é que eu queria ficar com as meninas se ouvia Percy Sledge, Sam & Dave e Otis Redding ao mesmo tempo que era fã de Ramones e New Order? Além de esquizofrênico, eu não ouvia Oingo Boingo e queria ver a Madonna no inferno, ou seja, as minhas chances só podiam ser nulas em 1988.) Voltando ao filme: eu me identifiquei com o Duckie e, automaticamente, me coloquei entre os losers, entre os estranhos, entre os caras que jamais iriam ficar com a menina bonita. Tá certo que, no final das contas, eu fiquei com a menina bonita, mas só eu sei todo o nervosismo e a minha insegurança antes de que isso acontecesse.

Resumindo: o maldito público teste de Pretty in Pink dificultou a minha vida amorosa na adolescência. Para você ver como são as coisas...



Em compensação, o nosso amigo John Hughes fez com que me tornasse obcecado por mulheres de cabelos curtos. Não é à toa que sou casado com uma. E tudo por causa do filme Some Kind of Wonderful. Vocês não têm idéia como eu sonhei e sonhei e sonhei com a Mary Stuart Masterson. E eu amo este final. You look good wearing my future é uma das melhores frases finais da história do cinema. Na minha opinião, é claro.

Bom... chega de adolescentes por hoje.

Por hoje..

Labels: ,