Thursday, November 29, 2007

De onde vim, parte três



Eu fui o segundo da fila para comprar o ingresso para o show do Jesus and Mary Chain em Porto Alegre. E tenho quase certeza de que devo ter mentido ao meu pai que precisava de dinheiro para comprar livros da escola. Aliás, queria saber quem foi a boa alma que decidiu levar essa banda até Porto Alegre. Se vocês souberem, me avisem. Preciso dar um beijo na boca dessa pessoa. Porque... bem porque essa banda filha-da-puta conseguia traduzir tudo o que passava na minha cabeça adolescente. Ingênuo e violento ao mesmo tempo, o som dos irmãos Reid era tudo o que precisava para me sentir mais seguro em uma época de insegurança quase diária. Será que ela gosta de mim? Será que nunca vou beijar? Será que meu pai vai descobrir que já fumei cigarro? Fora que foi por causa deles que eu fui atrás de Phil Spector. Mas essa já é outra história.

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De onde vim, parte dois



Para quem tem mais de 30 como eu, e que cresceu no meio do boom das bandas inglesas nos anos 80, The Cure não é nenhuma novidade. Mas, acreditem, se eu não tivesse escutado essa música provavelmente hoje seria um médico com os bolsos cheios de dinheiro. Mas, infelizmente, fiquei hipnotizado por essa música. E deu no que deu.

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Wednesday, November 28, 2007

De onde vim, parte um



Não é a minha predileta do Lennon. Mas foi a única música que me fez chorar compulsivamente a primeira vez que ouvi. Lembro que comprei o single no final de um dia qualquer... e quando cheguei em casa, por diversos motivos que não importa agora, senti uma pontada filha da puta no peito.

Sempre que chega o final de novembro começo a ouvir muito Lennon. Tem anos que não ouço outra coisa a não ser as suas músicas até o dia do meu aniversário. É uma espécie de tributo, de ritual, sei lá.

Não costumo acreditar em coincidências. Mas ele nasceu um dia antes da minha mãe (no mesmo ano até) e faleceu um dia antes do meu aniversário...

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Tuesday, November 27, 2007

Meu nome é Zé Pequeno

Eu tenho problemas.

Por exemplo, decidi que vou ser o único brasileiro que nunca viu Cidade de Deus. É uma teimosia ridícula, mas me sinto bem em saber que sempre estou por fora das conversas sobre o filme. O problema é que não posso dizer isso aqui na Argentina. Seria uma heresia cultural, já que todos amam a peli. O que faço? Simplesmente concordo com todas as opiniões. Vejam bem, não estou mentido. Estou apenas concordando.

Eles: Ciudad de Dios es una peli increíble.
Eu: Si, si... increíble.
Eles: Que buen director! Y la parte en que este chico llora porque lo van a matar... Wow! Me dá piel de gallina..
Eu: Si, si... está muy buena esta escena, no?

Entrei tanto no culto argentino ao filme que o meu nome de usuário no iTunes compartido na empresa é Zé Pequeno.

Mas ontem aconteceu algo. O filme estava passando em um canal de TV argentino. Com legendas em espanhol e tudo. Aí comecei a assistir. E gostei. Gostei bastante até. Mas e a minha promessa? Essa promessa que poderia estar escrita na minha lápide? Tive que lutar contra a minha vontade de ver o filme até o final. E o que fiz? Desliguei a TV na metade da história.

Ou seja, continuo na minha luta pessoal para ser o único brasileiro que nunca viu Cidade de Deus.

Bem que avisei que tenho problemas...

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Thursday, November 15, 2007

Som de menina

O cansaço do ano está se acumulando aos poucos nestes últimos meses. Trabalhei tanto que o meu cérebro já está a ponto de uma pane geral. Mas, vamos lá, tem muita coisa pela frente ainda. Decidi, então, que cada vez que ficar estressado no trabalho vou abrir um documento em branco e escrever para o blog. Ficção, por enquanto, é pedir demais. Por isso, vou começar com as minhas 10 canções prediletas no mundo das girl groups.

1. Be My Baby com as Ronettes. Essa até o meu vizinho sabe que estaria no topo da minha lista. É a perfect pop song ever: a melodia inesquecível, o refrão que faz qualquer um sair cantando na hora, o arranjo o-mundo-todo-tá-caindo, e, claro, os vocais docemente desesperados da Ronnie Spector. Be My Baby, para mim, é Mozart.

2. Will You Love Me Tomorrow com as Shirelles. Dizem que foram elas que criaram o boom das girl groups. O fato é que essa simples canção, capaz de fazer você chorar e dançar ao mesmo tempo, tem outro mérito. A letra, obviamente, fala sobre uma adolescente que está prestes a perder a virgindade. Imagine isso tocando na rádio em 1961. Carole King, co-autora da música, é genial.

3. One Fine Day com as Chiffons. Outro clássico escrito pela Carole King. Eu amo essa música porque, além de ser a felicidade em forma de canção, tem um dos pianos mais perfeitos do pop. Principalmente quando o piano responde aos vocais das garotas.

4. The Chapel of Love com as Dixie Cups. A melhor música que fala sobre casamento de todos os tempos. Letra ingênua, ingênua, mas com uma melodia como essa não dá para não acreditar que a menina vai ser feliz para sempre. A música é do Phil Spector e, dizem, era para ser gravada pelas Ronettes. Darlene Love, vocalista principal das Crystals, também gravou uma versão sensacional de The Chapel of Love. Mas clássica mesmo é essa gravação das Dixie Cups.

5. Please Mr. Postman com as Marvelettes. Motown, meus amigos, Motown! Uma injeção de soul no pop perfeito das girl groups. Você já percebe o toque da Motown no jeito que elas cantam. As vocalistas das girl groups de Nova Iorque (a maioria eram do Brooklyn) interpretavam mais, mas as meninas de Detroit (lar da Motown) eram mais encorpadas, mais sensuais, era um sofrimento mais da alma do que do coração. Sei lá. Viajei. Nem os Beatles superam a versão original.

6. Da Doo Ron Ron com as Crystals. Outra produção quase esquizofrênica de Phil Spector. São tantas camadas de som que parece que você está sendo atropelado por um caminhão de gás. Dance music antes da dance music, se é que você me entende.

7. Baby, I Love You com as Ronettes. Eu quase gosto mais dessa música que de Be My Baby. Tem vezes que até gosto mais. Simplesmente uma das melodias mais bonitas que já ouvi na minha vida. Além disso, o oh, oh, oh da Ronnie Spector está insuperável.

8. You Can't Hurry Love com as Supremes. Diana Ross na sua melhor fase. E ponto final.

9. I Love How You Love Me com as Paris Sisters. Três loiras da Califórnia que mais pareciam donas de casa. Mas essa baladinha, produzida pelo onipresente Phil Spector, é de chorar de tão linda. Vale a pena também as versões de Bryan Ferry e da Beth Orton.

10. Leader of The Pack com as Shangri-Las. Produzida pelo malucão Shadow Morton essa canção conseguiu unir a tragédia com o pop como raras vezes se viu. Afinal, não é sempre que umas doces garotas cantam sobre a morte do namorado em um acidente de moto.

A minha lista é meio óbvia. Só tem os clássicos dos clássicos. Depois escrevo sobre as canções que não foram um hit, hit.

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Wednesday, November 14, 2007

I know that you want the candy

Eu amo as girl groups. Simplesmente amo as inocentes e doces e pegajosas e simples canções pop dos anos 50 e 60 cantadas por jovens garotas. Isso explica a minha obsessão por Phil Spector, coletâneas baratas de antigos hits e histórias estúpidas de amor. Sábado, enquanto tomava um Ice Tea na companhia de meu iPod na sala de espera de Guarulhos, estava pensando em escrever um post com o meu Top 10 das girl groups songs. E ontem caiu em minhas mãos o novo álbum do Raveonettes. E como é que não vou gostar de um disco como este Lust Lust Lust? Cheio de barulinhos bons e melodias que acabaram de sair de uma máquina do tempo? É puro girl group revisitado, amplificado e microfonado. Ou seja, o meu Top 10 fica para depois. Hoje só quero dizer isso: agora que tenho bem mais de 30, sei o quanto faz bem uma fonte da juventude. E, para a minha felicidade, ela está em canções como as do Raveonettes. Duvida? Então ouça apenas You Want The Candy. Se você não ficar com vontade de dançar e tomar milk-shake é porque já perdeu o adolescente que existe em você. E isso é triste. Muito triste.

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Friday, November 09, 2007

Olimpíadas

Eu já disse que odeio o bairro Vila Olímpia em São Paulo? Se disse, digo de novo.

Eita lugarzinho dos infernos.

Monday, November 05, 2007

Em compensação...

... a trilha do filme I'm Not There, com covers do Bob Dylan, é genial. Só pelas versões de Simple Twist of Fate de Jeff Tweedy e de Stuck Inside a Mobile With the Memphis Blues Again da Cat Power já vale a pena.

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A amiga do Michel Gondry

Ontem, graças ao poder da minha cunhada rockstar, ganhamos entradas para o show (esgotado, lotado e sold out) da Björk. Não que eu fizesse questão, já que definitivamente não tenho paciência para escutar as suas músicas. Mas eu gosto de shows. E ainda mais de shows em lugares não tão grandes (aqui em Buenos Aires foi em um teatro de porte médio).

Como espetáculo, foi nota 10. Realmente impressionante. Só que, como bem disse um jornalista conhecido meu, a Björk é tipo Marisa Monte. Não sei se você entende, mas essa definição para mim diz tudo. Eu até queria me empolgar, mas, sei lá, de repente me bateu uma certa nostalgia e quase gritei TOCA BIRTHDAY, TOCA DELICIOUS DEMON!!!. Porque eu gostava muito de Sugarcubes e, tudo bem que era apenas uma bandinha de rock que não revolucionou a música pop como a carreira solo de sua vocalista (estou sendo irônico, claro), mas eu sentia que naquelas canções havia soul. E não sinto isso na Björk. Óbvio que é só a minha opinião e provavelmente estou errado. Afinal, a platéia ontem quase teve um treco com a moça. Mas não é isso o que acontece nos shows da Marisa Monte?

Sou da opinião que quando um artista pop pega você de verdade, ninguém fica berrando MARAVILHOSA!!!. Quando um artista pop pega você de verdade, você fica com vontade de chutar a caixa de som, de quebrar as garrafas de cerveja ou, quem sabe, dar uma rapidinha no banheiro do teatro.

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