Thursday, July 31, 2008

I would do the stars with you anytime

Ouvi essa música hoje, na versão dos Killers, e lembrei desse texto de 1998. Faz parte da segunda parte da história do Spit que jamais foi terminada. Adoro essa introdução. Já não era um adolescente quando a escrevi, mas é tão verdadeiramente adolescente (pelo menos a minha adolescência no final dos anos 80) que até me faz suspirar.



... e se você quer mesmo saber como foi que tudo aconteceu, ou seja, se você ainda está lendo esta história, é bom que saiba que apesar de ter sido tudo tão idiota, tão adolescente e, por isso mesmo, tão inocente que chega a me dar vergonha, foi algo que me marcou para o resto da vida e que me faz acreditar cada vez mais que você é o que você era aos quinze anos de idade. E, aos quinze anos, eu era um garoto sem o menor tato com as mulheres e que passava o dia inteiro pensando em maneiras de extorquir dinheiro dos pais para comprar mais discos. Mas, claro, também sabia como me divertir. Principalmente quando algum amigo me convidava para uma festa e pedia para eu cuidar do som.

Foi em uma dessas festas, em uma noite fria de Porto Alegre, que conheci Ana Teresa. "Era aniversário de Luis Felipe, o goleador do time de futebol da minha turma de colégio, e ele resolveu deixar todo mundo se embebedar na cobertura do pai dele. Tinha gente de tudo que era série, o que foi uma péssima idéia já que as meninas da nossa idade só queriam saber dos garotos mais velhos. Mas o que eu queria mesmo era me divertir atrás do meu velho toca-discos Gradiente e ficar escolhendo os meus discos de vinil que ficavam em uma caixa de plástico verde-escura. De vez em quando, alguma boa alma me trazia um copo de cerveja ou vodca, ou um copo de cerveja com vodca, isso era o que menos importava. E, claro, alguém sempre tinha um pedido.

"Toca Legião!"

E eu tocava.

"Toca Smiths!"

E eu tocava.

"Toca Talking Heads"

E eu tocava.

"Toca Dire Straits!"

Pronto. Era só pedir algo que eu detestasse para eu ficar de mau humor.

"Dire Straits é chato."

"Chato é isso que tá tocando."

Fiquei muito puto. A música em questão era Bring On The Dancig Horses do Echo & The Bunnymen. Parei de revirar a caixa de discos e levantei a cabeça. Eu precisava ver quem é que ousava dizer uma heresia daquelas. Pela voz já havia percebido que era uma garota, mas, minha nossa senhora, nunca imaginei que fosse aquela garota. Para variar, não consegui dizer uma única palavra. E ela ali, olhando para mim com um tom desafiador. O mais engraçado é que eu tinha um disco do Dire Straits comigo.

"O que houve?"

"O que houve o quê?"

"Sei lá. Você ficou quieto de repente."

Procurei meu copo. Bebi em um gole só. Era cerveja. Eu acho.

É que você acabou de chamar Echo & The Bunnymen de chato."

"Grande coisa. Você chamou Dire Straits de chato."

"Mas Dire Straits é chato."

"Eu não acho."

"Diz uma música do Dire Straits que não seja chata."

"Olha, eu não entendo nada de música. Mas gosto de Dire Straits e gostaria que você tocasse algo deles agora."

"Não tenho nenhum disco deles."

"Tem sim... Tô vendo daqui."

E, então, eu disse algo que até hoje duvido que disse.

"Olha, a única música do Dire Straits que acho decente é Romeo And Juliet, mas é lenta. Até coloco agora. Mas você vai ter que dançar comigo."

Ela ficou me olhando com aquele mesmo tom desafiador. A música dos Bunnymen já estava chegando ao final, daqui a pouco era hora de trocar de música. E, de repente, eu a vi sorrir.

"Tudo bem... Eu danço com você."

Coloquei meu disco do Dire Straits no toca-discos, o pessoal meio que vaiou porque não estavam muito a fim de uma lenta, mas nem dei bola. Saí do meu canto e, ao lado daquela garota de vestido e meias pretas, caminhei em direção ao terraço da cobertura. Fazia um frio dos diabos e meu fiel sobretudo de lã tinha ficado ao lado do aparelho de som. Eu tremia. E, talvez por pena de mim e por saber que tinha me derrotado no quesito música, ela me abraçou mais forte. E eu? Bem, naquela altura do campeonato eu já estava mais do que apaixonado. Tão apaixonado que não consegui dizer nenhuma palavra durante aqueles cinco minutos de dança, simplesmente fiquei quieto, sentindo o cheiro de um perfume do Boticário que toda adolescente usava em 1987 e pensando de onde é que o Luis Felipe conhecia uma menina como aquela. No final da música, ela me disse tchau, eu disse tchau, ela voltou para um canto escuro da cobertura junto de suas amigas e eu saí correndo em direção ao toca-discos e coloquei Boys Don’t Cry do Cure no último volume...

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Tal irmão, tal irmã

Melhor título de álbum de 2008: I Know You're Married But I've Got Feelings Too. A moça por trás dessa genialidade é a Martha Wainwright.

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Sunday, July 27, 2008

Little darling...



Quando o mundo parece cair de tanto stress no trabalho, poucas coisas me acalmam como ouvir Bob Marley. E Stir It Up é uma daquelas canções pop que já nasceram eternas. Tudo é perfeito: os arranjos, a melodia, a letra... está na categoria músicas que fazem você flutuar.

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Tuesday, July 22, 2008

Snapshot stories

Já não sei se ainda tenho histórias para contar ou se é apenas a minha disposição para escrever que não é mais a mesma. Não importa. Antes eu tinha a pressa de querer fazer tudo ao mesmo tempo. De pensar que você é mais valorizado se consegue as coisas quando jovem. Bobagem. O fato é que agora decidi que quero contar minhas histórias de outra forma: fotografando, claro.

Há mais ou menos dois anos venho pensando em entrar em um curso de fotografia. A minha grande dúvida era se deveria fazer algo mais técnico ou não. Depois que vi que até que consigo me virar com uma câmera de 35mm totalmente manual, percebi que não queria que me ensinassem a fazer fotos. Um dos meus objetivos é tentar trabalhar em um projeto de verdade, mas antes preciso descobrir qual é o meu olhar. Por isso, há duas semanas estou participando de uma oficina de estética e expressão com o fotógrafo Juan Travnik. Admiro muito o trabalho dele e é um prazer escutá-lo falando de fotografia.

O engraçado é que a oficina parece uma terapia em grupo. Ficamos todos ali, sentados em círculo, ouvindo o nosso maestro falar, discutimos alguns assuntos e analisamos as fotos dos outros. Ainda não tive coragem de colocar as minhas fotos no meio do círculo, mas com certeza vou fazer isso nessa semana. Tenho medo, mas foi para isso mesmo que entrei na oficina: para ouvir críticas.

Tenho muitas idéias para um futuro projeto, mas nada me convence. Enquanto isso, vou disparando e disparando e disparando com a minha câmera. Porque acho que no final das contas é o meu projeto que vai me encontrar. E não o contrário.

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Monday, July 21, 2008

Fotógrafos que amo

Hoje, Alex Majoli.

Este fotógrafo italiano é outro garoto prodígio. Aos 25 anos entrou para a Magnum. Hoje já é full member, ou seja, de lá não sai mais (só se quiser).

Ele tem um trabalho incrível de fotografias de guerra. Aliás dizem que grande parte do seu trabalho é feita apenas com uma point and shoot digital. Vai saber.

Em 1995 ele esteve no Brasil e fez um ótimo ensaio sobre as favelas.

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O garoto prodígio e o homem morcego

Saldo do final de semana.

Conor Oberst ao vivo: óbvio que adorei. Fiquei pensando com os meus botões: tão guri e tão talentoso. Sim, é um exagero quando comparam o cara com o Dylan, mas até que faz sentido. Apesar da pouca idade, ele já se reinventou dezenas de vezes. Com o Bright Eyes foi do indie ao eletrônico, passando pelo country e o folk. Depois teve o Desaparecidos, com o seu som quase punk. E ele tem o talento fora do comum de escrever lindas melodias e letras que podem ser contos de gente de 20 e poucos anos ou pura poesia. O show que vimos foi o mesmo que teve no Brasil, acho. Apenas ele, um baterista e um multi-loiro-com-cabelo-de-pequeno-príncipe. Todos muito talentosos. Mas o que mais gosto do Conor é o jeito que ele canta. Ele realmente sente cada verso... e tem vezes que parece que vai se quebrar por dentro. Gênio.

Batman - The Dark Knight: fui ver com um pé atrás, mais curioso que empolgado. E, pelo amor de Deus, o filme é tudo isso mesmo. Poderia ser um pouco mais curto, mas isso não tira o mérito. Tudo o que eu pensei é o que a galera que gostou do filme pensa. Não sou nada original. Resumindo: é o melhor filme de herói que já vi.

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Tuesday, July 15, 2008

Fotógrafos que amo

Hoje, William Eggleston.

Muitos dizem que o senhorzinho amigo da Cat Power (ele aparece tocando piano no clip de Lived in Bars) é o pai da fotografia em cores. Ele é uma das minhas principais influências, agora que estou tentando levar este lance de fazer fotos mais a sério.

Acabei de ver o documentário William Eggleston in The Real World e é surpreendente vê-lo em ação. Ele sai caminhando pelos lugares, com a câmera na mão, devagar por causa da idade, fumando um cigarro e, assim do nada, pára e faz uma foto. E quando você vê o resultado é difícil de acreditar que tudo parece tão fácil.

Gênio é pouco.

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Cut your hair

Buenos Aires está um caos.

A guerra Governo contra o Campo continua.

E eu redescobri o Pavement. Este Crooked Rain, Crooked Rain é genial. A abertura com Silence Kit que começa como não quer nada e, de repente, bum, explode em uma melodia roqueira de arrepiar os cabelos é antológica.

Já sei que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Mas nem sempre as coisas fazem sentido nessa vida.

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Tuesday, July 08, 2008

I am the resurrection



Ano que vem um dos maiores discos de rock da história completa 20 anos. Já imaginou? Nem parece que o The Stone Roses lançou o seu álbum de estréia há 20 anos. Pensando bem... isso até que é triste porque me sinto velho, muito velho. Lembro que em 1989 eu criticava os trintões que falavam o que eu ouvia na minha época é que era bom. E, por ironia, hoje sou meio assim. Acabamos de ver um especial sobre o brit pop no VH1 e eu consegui lembrar direitinho o que senti quando ouvi pela primeira vez The Smiths (foi Heaven Knows I'm Miserable Now e não sei o que mais me surpreendeu, se foi a melodia pop perfeita ou aquela guitarra rítmica de Johnny Marr que literalmente me abraçava) e os próprios Roses (foi (Song For My) Sugar Spun Sister e aquela linha de baixo maravilhosa que andava em círculos em círculos em círculos enquanto a voz do Ian Brown soava tão frágil que parecia que estava por quebrar).

Já não me emociono mais tanto com as novas bandas. Amei o primeiro do Arcade Fire, mas não tive paciência de ouvir três vezes o segundo. O mesmo aconteceu com outra banda que pensei que iria adorar, o Clap Your Hands Say Yeah. Não acredito que a minha empolgação pelo The Ting Tings vai durar muito. Sim, sim, estou ficando velho, tão velho que quando penso no disco London Calling do The Clash tenho vontade de chorar.

Mas voltando ao The Stone Roses: o fato é que há 20 anos ninguém lançou um disco tão bom, tão perfeito, tão rico, tão revolucionário, tão pop, tão dançante, tão empolgante, tão psicodélico, tão pretensioso como o primeiro dos caras. É claro que existiram outros disco geniais, alguns até melhores musicalmente falando, mas, para mim, este disco e o The Queen is Dead do The Smiths têm este sabor de clássico inigualável. Porque não existe nada mais rock and roll do que você ser um adolescente, no auge dos seus hormonônios e do seu desejo de ser independente e louco e rebelde e imortal e único, e ter certeza de que você está vivendo uma parte importante da história da música pop. Foi justamente isso o que eu vivi com estes dois álbuns. E esse sentimento, ah, este sentimento vai ficar sempre comigo. Com 30, 40, 50, 60 ou 70 anos.

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Thursday, July 03, 2008

Meu amigo Conor



This is the first day of my life
I swear I was born right in the doorway
I went out in the rain suddenly everything changed
They're spreading blankets on the beach

Yours is the first face that I saw
I think I was blind before I met you
Now I don’t know where I am
I don’t know where I’ve been
But I know where I want to go

And so I thought I’d let you know
That these things take forever
I especially am slow
But I realize that I need you
And I wondered if I could come home

Remember the time you drove all night
Just to meet me in the morning
And I thought it was strange you said everything changed
You felt as if you'd just woke up
And you said “this is the first day of my life
I’m glad I didn’t die before I met you
But now I don’t care I could go anywhere with you
And I’d probably be happy”

So if you want to be with me
With these things there’s no telling
We just have to wait and see
But I’d rather be working for a paycheck
Than waiting to win the lottery
Besides maybe this time is different
I mean I really think you like me


Não é difícil de entender os motivos que me fazem pensar que essa é uma das melhores músicas de todos os tempos. Não é apenas a melodia perfeita, capaz de fazer a gente acreditar que ainda é possível escrever lovesongs que não sejam piegas. Talvez seja a letra, tão linda, tão sincera, tão verdadeira. Acho que era cego antes de conhecer você é algo que me mata, como diriam os argentinos. Talvez seja porque é justamente isso que penso todos os dias quando acordo e a vejo. E prefiro trabalhar por um salário a esperar que ganhe na loteria é uma lição de vida. Diz tudo. Explica tudo. É quase que o segredo de toda relação... mas aí chega o final da canção que completa mas talvez agora seja diferente, quero dizer, eu acho que você realmente gosta de mim. Simples não? Duas pessoas que se gostam e que trabalham duro para que dê certo.

O mais surpreendente é que o cara que escreveu isso deveria ter uns 24 anos na época. Tudo bem que Conor Oberst começou na música bem cedo, ainda adolescente. E, para mim, é um dos poucos verdadeiros gênios do rock (ou country, ou folk, ou pop). E ele vai tocar no Brasil e, para a minha sorte, também vai passar por Buenos Aires. Vou, né?

O primeiro vídeo é da versão de First Day of My Life ao vivo, com banda e tudo. E, abaixo, você pode ver o clip com a versão original.

Boa noite... e, por favor, se tiverem a oportunidade, não percam este show.

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